Retrospectiva BBB10: A vitória do anti-herói (Parte 1)

O que Pedro Bial esqueceu de falar no discurso que garantiu o prêmio de 1,5 milhão a Marcelo Dourado é o seguinte: em uma edição do BBB fundamentada na diversidade, a tolerância à presença de ex-BBBs também fazia parte do (bom) jogo. E foi a partir da intolerância inicial da maioria da casa que Dourado fez seu jogo e conseguiu – apesar dos excessos que provocaram alta rejeição contra ele – administrar o favoritismo até a final. O discurso do apresentador – delirante em paredões como Lia x Maroca – foi pé no chão desta vez e apontou que o maior trunfo do lutador era a pecha de perdedor. Como bom observador do jogo, Bial se ligou, claro, que o público (ou boa parte dele) brigou para reverter essa condição até o fim. Brigou, xingou, ameaçou, enfim, alguns passaram dos limites como bem sabemos. E neste ponto certos douradistas e outros anti-douradistas perderam. Mesmo porque o vencedor já declarou que não pretende botar lenha nessa fogueira de heteros contra homossexuais.

A vitória do lutador pode ser explicada de várias formas. Uma delas e através da qual me inspirei para titular este post é o texto da Lele Siedschlag no R7, com o qual concordei em cada linha escrita. É a visão de uma pessoa que acompanhou todos os BBBs até então, trabalhou nesses três meses assistindo o programa via PPV e ainda assim não acredita que a disputa pelo prêmio seja o fim do mundo ao ponto de encarar o trunfo de Dourado como a “vitória da homofobia”.

E sinceramente, ao meu ver, toda essa mobilização exagerada em prol ou contra Dourado é uma triste constatação da capacidade que o brasileiro tem de se engajar pelo que não importa. Porque se as mesmas pessoas que votaram incansavelmente “contra a homofobia” tivessem garra para saber qual é a agenda do Congresso Nacional em relação a projetos de defesas dos direitos homossexuais, por exemplo, teríamos um País bem mais avançado no que diz respeito à tolerância sexual. Fazer passeata virtual no twitter ou votar no BBB é fácil, galera. Já os que aproveitaram essa polêmica para manifestar gratuitamente sua homofobia prefiro dizer que morreram na praia, felizmente… Acredito que Dourado não compra essa briga, como já citei no primeiro parágrafo desse texto.

Com um elenco tão diverso e que gerou tantas polêmicas, seria politicamente incorreto discriminar declaradamente algum gay, judeu, negro, nordestino ou dançarina de boate… E desse script todos os 17 sabiam. Só esqueceram de avisar aos 16 que perderam o prêmio, com exceção de Joseane, claro, que rejeitar ex-BBB e bater o pé que eles “já tiveram sua chance” seria mais uma forma de discriminação. Resultado: Dourado campeão.

Como um "improvável discriminado", Dourado venceu o BBB10

Vamos agora à breve retrospectiva de cada participante, por ordem de eliminação:

Joseane – Entrou por conta da resistência de Fernanda (a vice-campeã – ó a ironia) na primeira prova do líder. Apagadíssima e pouco lembrada na vida fora da casa durante o BBB10, sua maior vitória financeira em função do jogo pode ser agora, se souber negociar uma boa comissão pela parcela de responsabilidade que teve na vitória de Dourado. Por causa da escolha dela, ele entrou.

Marcela – Na primeira ou segunda semana, Eliéser incluiu Marcela no grupo dos “mais fortes” no jogo. Ou seja, só na cabeça dele mesmo.

Tessália – Pensava em todas as estratégias de jogo-ao-mesmo-tempo-agora embora estivesse há tão pouco tempo na casa. Fazia leituras precipitadas (“Esse BBB é dos gays”). E esse foi seu maior erro, além de passar para o público de que tudo que fazia era meio fake. Tinha um comportamento diferente de um BBB típico, é verdade, mas enganou um monte de gente – inclusive analistas do jogo – prometendo jogar mais do que realmente jogou. Lia acabou cortando suas asas bem cedo. Saiu com uma rejeição tão alta que até o Bial se assustou com a porcentagem para um paredão triplo (78%).

Alex – Não sei, mas fiquei com a sensação que o Alex teve azar. De cara eu achava que ele tinha um perfil muito parecido com o Ralf do BBB9 e iria pelo menos até a metade do programa. Não deu sorte de ganhar fama de chato (verborrágico) e ter a maioria da casa contra ele logo cedo. Tanto que foi a quase todos os primeiros paredões do BBB10 e saiu no quarto.

Uilliam – Na edição deste post, eu já estava escrevendo sobre o Michel quando lembrei da existência do Uilliam no BBB10 e tive que voltar pra cá. Daí vocês tiram a importância que ele teve para o jogo.

Elenita – A Lena é uma que eu achei superestimada por alguns analistas também, a exemplo da Tessália. Arrumava muita briga por nada – e isso a nivelava “por baixo” com as barraqueiras da casa (Lia e Maroca). Se a doutora usasse sua inteligência com maior serenidade e soubesse a hora de não se meter em confusão teria tido uma história bem diferente no BBB10. Também não teve sorte de cair num paredão justo na hora que desencadeou uma crise de relacionamento com algumas pessoas entre as quais até então ela não tinha tantos problemas.

Angélica – A participação da Morango foi uma grande gangorra. Chatinha no começo, ela acordou após um toque de Bial e se tornou uma das figuras mais carismáticas do jogo. Sua torcida começava a se formar e se unir aqui fora quando de repente quis pintar a imagem do cão em Dourado – com quem, como amigo, ela tinha desabafado seu interesse por Cacau. Não só o público sentiu que a mudança foi forjada como os “douradistas” já estavam bem organizados aqui fora. Eliminada no primeiro paredão que mostrou como o lutador estava forte na disputa.

Cacau – O romance fake com Eliéser foi um erro que mais cedo ou mais tarde deveria custar sua presença na casa. Pior: se não era fake, para boa parte do público parecia que sim. Até tinha boas atitudes de jogo como não dar cabimento às DRs manipuladoras da Lia. Pra arrematar sua eliminação, Cacau se colocou de um lado que era rival de Dourado, Lia, Cadu & Cia. Ou seja, contra a maior torcida.

Eliéser – Antes do paredão que tirou Cacau do jogo, qualquer ser humano de bom senso que acompanhou o BBB10 até 2 de março sacou que ele tinha uma visão de jogo que só existia na cabeça dele. Muito bobo, Eliéser provocou risada por conta da sua joselitice e eu nunca consegui levá-lo a sério como jogador. Depois que a namorada saiu, o fantástico mundo de Eliéser se desmanchou e ele ficou só esperando a vez de sair.

Michel – Ao meu ver, Michel seria um dos finalistas senão tivesse colado sua imagem na de Tessália. O romance – além de provocar aquele bafafá negativo pra ele com Karen Pila aqui fora – o fez ficar com fama de influenciável, manipulado. Reverteu um pouco disso após a saída da namorada, mas o saldo não se equilibrou ao ponto de combater o fanatismo da torcida douradista. Que infelizmente preferiu eliminá-lo – por estar ao lado de Dicésar, Serginho – ao invés de Maroca.

Serginho – Entrou tarde em paredões e passou muito tempo apagado no jogo após uma primeira semana destacada. Se o BBB acabasse em cinco dias, talvez Serginho tivesse levado o prêmio contra os outros 16. Ele confirmou seu carisma, mas talvez a pouca idade e a preocupação em aparecer tenham pesado contra ele. Faltou jogo. Faltou mostrar ao público que estava no programa não só para consolidar uma imagem de celebridade.

Maroca – Pra mim a Maroca garantiu uma permanência longa na casa no grito e na sorte. Com alto índice de rejeição desde o início, a ex-PM não fez bom jogo e em toda situação de conflito fazia questão de perder a razão, mesmo quando estava em vantagem na situação. O único trunfo dela perante o público-que-decidiu-o-jogo foi enganar os douradistas em alguns momentos ao declarar uma falsa aliança com o lutador – que ele parecia acreditar. Não sei como o “Brasil” aguentou tanta histeria. Dois meses e 11 dias, mais precisamente. O discurso do Bial quando ela saiu foi risível.

Por ora, é só. Na parte 2, vou concluir a retrospectiva com os resumos do Dicésar, Lia, Cadu, Fernanda e uma breve reflexão sobre se Dourado mereceu ou não o prêmio.

Até mais!

Por Felipe (littlebonibrasil@gmail.com)

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