Dourado e a experiência de ex-BBB

Se envolve covardia ou não, sujeira ou não – como andam pintando por aí de modo politicamente correto – uma coisa há de se reconhecer na estratégia de jogo de Marcelo Dourado: ele sabe muito bem o “potencial” do que é dito dentro da casa. Tanto para mexer com a percepção do público, como para queimar adversários.

No início do confinamento deste BBB10 lembro dele falando de como as coisas ditas no programa tinham peso. Sabe inclusive que as merdas que faz se voltam contra ele e saberá ainda mais quando sair (vencedor ou não). A torcida anti-Dourado que o diga.

No entanto, Dourado usa muito bem essa percepção para definir suas jogadas. Duas situações pós-formação do paredão de hoje me remeteram a isso. Ele pegou o que Anamara disse sábado sobre não mais votar nele e descascou a gralha por ter queimado a língua.

Como ela sempre fala primeiro e só depois pensa, em quase toda discussão Maroca se sai muito mal, com quem quer que seja. Mas o problema de ter dito que não votaria mais no lutador é que a própria foi atrás de dizer isso pra ele. Dourado não pediu “NÃO VOTA EM MIM” como se fosse uma Lia dizendo “ME INDICA” para o looser Michel (só ele mesmo para aguentar 25 horas de conversa fiada).

Outro indício de que Dourado é bastante observador foi sua justificativa para tentar convencer Eliézer a não aceitar o anjo da Cacau. O lutador lembrou que o bobão – no seu último piti – bradou que queria um paredão com Lia para o público (ou melhor, o “Brasil”) fazer justiça. Eis a oportunidade que ele tinha, então.

Eu não vi sujeira ou covardia nenhuma do Dourado nessas duas situações. Ninguém pode fazer uma manobra fora do script normal que os pseudos-justificeiros da casa e os protetores da moral e dos bons costumes aqui fora logo gritam que é feio, rasteiro. Rasteiro é o que Lia faz desde o início, e disso já falei no post anterior.

O lutador já começou a jogar com a torcida junto, sabe que rivalizando com Anamara e apontando incoerência da gralha terá gente a seu favor. Sentir que tem torcedores aqui fora é mais um trunfo dentro do jogo, e Dourado agora sabe dos seus. Pior é não ter quem torça mas ainda assim tentar jogar com uma suposta torcida (alô Eliézer?).

Queria que fosse a Lia, mas Cacau sai terça. Tô sentindo que a Lia vai raspar o degrau do “pódio” desse BBB e ser eliminada feito Ana Carolina ano passado.

Por Felipe (littlebonibrasil@gmail.com)

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Jogo esperto e rasteiro

Lia tem vaga garantida no próximo paredão, mas como a obcecada torcida do Dourado deve votar em Cacau –  por esta ser do grupo contra Dourado, não deve ser desta vez que ela sairá do programa. A dançarina adotou uma tática de extremos:  seu jogo é esperto, porém rasteiro. Lia simplesmente não tem limite para tentar mostrar ao público que é perseguida.

Para Lia, chorar vitimizada é quase um hobby no confinamento / Reprodução da UOL

Ela entende o jogo muito bem. Sabe – por ter acompanhado edições anteriores, suponho – que o público compra mesmo perseguições. Sim, ela joga, arrisca todas as fichas na construção da imagem dela com os espectadores, com os votantes. E faz isso em contatos “íntimos” com cada brother escolhido para ouvir suas verdades inquestionáveis, não importa se seu interlocutor tem o melhor ou o pior argumento do mundo. A tática é apelar de todo jeito (chorar é o mais comum) até que a pessoa engula a razão dela.

Já li alguns comentários comparando o jogo dela com o de Ana Carolina, do BBB passado. Tem umas diferenças cruciais aí. Enquanto a dançarina tem um secretário (Cadu), uma amizade mal resolvida (Serginho) e aliados por conveniência (Fernanda e Dourado), a loira tinha uma verdadeira sombra aliada (Naiá) e seu carisma de menina mimada atraiu a amizade de pessoas bem cotadas na casa de 2009, como Francine.

Ou seja, Ana se dizia sem amigos lá dentro – aliás, essa constatação é pré-requesito para qualquer perseguido(a) – mas tinha laços mais valorosos que a dançarina. O jogo da Lia é muito anti-convivência. E ela não se isola, como fazia Ana Carolina em alguns momentos. Mas faz questão de ser chata com todo mundo. Isso mostra como o jogo dela é totalmente voltado para o público. Ela caga para a rejeição dela dentro do confinamento, na verdade. Quer saber daqui de fora.

Mas por que, então, a tática da Lia pode ser esperta? Bem, eu acho que o jogo dela saturou um pouco à essa altura. Porém, ela mantém um raciocínio lógico porque um dos maiores passos para eliminar adversários no BBB é queimar a reputação alheia. Achem isso cabuloso ou não, mas o Big Brother é uma disputa desse nível de relação.

Lia tem uma rejeição aqui fora pela FORMA como queima as pessoas. No entanto ela não está errada ao buscar isso. Até vencedores do programa, como Alemão (BBB7), por exemplo, entraram de sola para queimar a reputação de colegas confinados em alguns momentos do jogo. Faz parte. Portanto que as pessoas comprem a idéia de que o “verdadeiro” queima alguém “sem razão”. Resta saber até quando o público votante continuará comprando Lia e sua verdade. Não acredito que por muito tempo ainda.

Por Felipe (littlebonibrasil@gmail.com)

Sérgio Malandro

Bi ou não, Serginho acordou para o jogo / Fonte: globo.com

Mesmo com a prova do líder suspensa e sob avaliação – parece que Fernanda descumpriu uma orientação do Bial – nenhum dos possíveis líderes foi o protagonista da edição desta quinta. O destaque foi o Serginho. Além de aniversariar, o rapaz foi alvo de uma interferência bem humorada do apresentador ao questionar com a casa se ele é bissexual ou homo, como se assume.

Vamos tentar entendê-lo dentro da casa. Sérgio, o conhecido Sr. Orgastic da web, revigorou sua participação no programa desde que Angélica o colocou no Quarto Branco. Distraído, aparentemente desinteressado do jogo e do prêmio, até aí ele parecia muito mais preocupado com sua imagem frente às câmeras. A neura pela maquiagem impecável entrega isso. Nenhuma surpresa. Afinal, quem sacava o Orgastic dos vídeos no You Tube já se liga que o lance do “personagem” dele é o apelo visual.

O problema é que esse comportamento deixou a impressão em muita gente que, apesar do carisma evidente, Serginho era uma mosca morta na casa. E não é bem assim. Ele não hesitou em demonstrar sua contrariedade com a atitude da Morango em levá-lo para o QB e soube jogar ao alimentar a rejeição em torno da moça que culminou com a eliminação dela anteontem. Tanto não hesitou que ele boiou mais uma vez na votação do paredão e quis votar nela já emparedada. Mereceu até um comentário do Bial que já é comum aqui fora: “você é a vovó Naná desse BBB”.

Eu mesmo achei, na primeira semana do BBB10, que Serginho seria fácil um dos favoritos. E embora ele esteja vivo no jogo, não arrisco dizer que ele recuperou esse favoritismo. Mas o menino parece ter suas cartas na manga. É mais esperto do que algumas pessoas da casa que costumam verbalizar muito sobre a disputa, como Michel, por exemplo. E, por outro lado, sabe reavaliar posições melhor do que Dimmy. O fair play e a boa relação com Dourado hoje são sinais disso.

Tudo isso vem acompanhado do inusitado, segundo Bial e outros desconfiados da casa: seria Serginho bissexual mesmo? Se fosse, seria uma das surpresas mais engraçadas desta edição. Talvez não ganharia o prêmio por isso, mas o tornaria um BBB ainda mais singular. Em todas as edições do programa passaram por lá personagens super previsíveis. Essa malandragem do Orgastic coroaria um tipo diferente, que não entrega o jogo e nem a própria personalidade 100% de bandeja para os adversários. Genial.

Por Felipe (littlebonibrasil@gmail.com)

O X do Merecimento

Com a vitória de Marcelo Dourado no paredão desta terça com recorde histórico de votos (77 milhões e uns quebrados), a discussão não gira mais em torno do favoritismo do lutador, e sim se ele merece ou não ganhar o prêmio.

Confesso que eu assisto/acompanho/analiso o programa porque é instigante ver o que as pessoas são capazes de fazer num jogo de convivência por R$ 1,5 milhão. Mas é horrível ver o que o público aqui fora é capaz de fazer pra decidir sobre o destino do prêmio. É o velho vacilo da classe média em comprar o sonho do outro…

Fonte: globo.com / Lia aliviando sua imagem antipática

Como vocês já perceberam, nesse momento da edição atual eu ando a favor de um olhar mais leve e anti-neura sobre a disputa. A permanência do Dourado na casa é mais discutida que o possível impeachment do Arruda – e olha que o caso de corrupção política envolve muito mais grana. E o dinheiro não é só do contribuinte do DF, afinal, as pastas de Saúde e outras do governo brasiliense são bancadas por todos nós, pagadores de impostos do governo federal. Besteira, né?

Minha ironia e analogia da “saga Dourado” com o caso político é que não há nenhum motivo para se comemorar tal recorde de votação. Parece que não temos mais o que fazer e o que discutir. Não é querendo emplacar um papo chato politicamente correto, mas é osso! Com Dourado vencendo, não acredito em “vitória da homofobia”. O lutador é tão egocêntrico como qualquer outro vencedor do programa, não é ele que tem buscado levantar bandeiras dentro da casa.

Parece que as torcidas estão se preocupando com questões que não são tão relevantes nem para os próprios confinados. Não vi nenhum participante preocupado em “bandeirar”, com a exceção óbvia do Dicésar. Por isso eu prefiro enxergar o jogo, na maior parte do tempo, percebendo cada um como uma “pecinha de madeira” mesmo – tomando emprestado uma expressão da Lia doida.

Se formos entrar nessa coisa de medir o merecimento de cada um ganhar ou não o prêmio, na minha opinião é melhor esvaziar a casa e colocar outros participantes. Temos ótimos “causadores” e pouquíssimas jogadas realmente interessantes nesta edição, isso sim. O que me motiva a continuar escrevendo a respeito é o formato do programa, que eu curto de verdade. Então, vamos curtir mais o BBB em si e parar de se descabelar por quem não está nem aí.

Drops

Fonte: globo.com / "Joguei com o coração, fui eu mesma, não fui duas caras, minha vó me ensinou"

* A Angélica no “saldo geral” até que me agradou. Eu já nutri uma simpatia por ela que agora transfiro para a Cacau, sua viúva no jogo. Sobre os erros dela, já comentei em um post anterior. Não aguento é o papo furado da Morango querendo se afirmar como a melhor-pessoa-verdadeira-da-casa na saída do confinamento – uma atitude que infelizmente é muito comum entre os BBBs.

* A acordada do Serginho depois do Quarto Branco está merecendo um post dedicado. O rapaz está recuperando o “frescor” da primeira semana. Resta saber se ele vai ter inteligência pra manter essa linha ou se a Vovó Naiá vai baixar nele outras vezes.

* Apesar de achar que ele roda (facim, facim) no primeiro paredão, eu aprendi a gostar do jeito looser com que o Michel percebe o jogo e as próprias atitudes. O blog Porra, Michel! é total esse espírito dele. Virou um personagem engraçado sem querer. Muito melhor que Maroca, que não tem graça nenhuma mas tenta.

* Aliás, Maroca tá boa de sair, não?

* Curti o Bial “avisando logo” ao Dicésar que ele era coadjuvante neste paredão. Evitou que a drag saísse louca dizendo que é forte e não sei o quê. O apresentador às vezes dá algumas dentro em prol da saúde do telespectador. Valeu, Bial.

Por Felipe (littlebonibrasil@gmail.com)

A Merda do Fanatismo e Os Pseudo-Fortes

Acho ridícula e doentia essa rivalidade entre as torcidas (com algumas exceções, claro) do Dourado x Homossexuais do BBB10 (Dicésar, Angélica e Serginho). Por isso só vou postar detalhadamente sobre o paredão atual após a eliminação. Eu já falei algumas vezes do Te Dou Um Dado? aqui e vou citar de novo porque a Lele, a Polly e o Didi sabem olhar o jogo com um humor competente e divertido. E o post da Polly falando de como o BBB enlouquece as pessoas MAS APESAR DE TUDO é só um programa de TV é ótimo. Recomendadíssimo. Leiam.

Bem, mas a princípio esse post pré-eliminação surgiu de algo que pensei depois do barraco de hoje. O Eliézer é tão aloprado que me fez enxergar alguma razão na Lia. Tá certo que ela já assegurou o atestado de insuportável não é de hoje e a “chamada” para a conversa faz parte – como já fez outras vezes – do joguinho sorrateiro e manjado. E justamente porque é manjado merecia ser tratado de outra forma caso Eliézer revelasse algum sinal de inteligência.

Lia precisa de palanque para emplacar suas teorias de perseguição e o bobão armou um comício, ao invés de minimizar a conversa sem se alterar, como bem fez a “falsa boba” Cacau outrora – não por acaso sua namorada no jogo. E o que é pior nisso tudo: Eliézer abusou daquilo que é mais irritante na maioria dos confinados do BBB10. Do direito de “se achar”. Bradou que quer um paredão entre ele e a Lia para que o “Brasil” faça justiça e tire a vilã de lá. Se o cara quer convencer o telespectador que ele ficou putinho porque ela pôs em dúvida seu relacionamento na casa, ele vai fazer o mesmo aqui fora com cada um que questione igualmente? Te prepara, Eliézer, tu tá no BBB.

Tá certo que Lia não é flor que se cheire, mas coitado… e ele? Motivo de piada aqui fora por (quase) tudo que faz na casa. Da formação do casal fake aos chiliques nonsense após cada paredão formado. Eliézer é o que eu chamo de pseudo-forte do BBB. Aquele tipo de participante que vai permanecendo achando que dá as cartas mas no máximo ajuda a embaralhá-las. Maroca já foi mais assim, hoje parece menos. Angélica depois que descobriu o bilhete premiado das placas da falsidade no Carnaval de Salvador também entrou nessa. Provavelmente só até esta terça, se as enquetes não errarem.

Se tem uma coisa que sinto falta do BBB9 é algum resquício de lucidez que baixe a bola dos pseudo-fortes. Quem lembra da edição passada sabe da descrença – de Francine, Flávio, Priscila e até Max – de que Ana Carolina não sairia do jogo fácil ou quiçá já tinha assegurado o prêmio. Era uma leitura que fazia todo o sentido diante do que eles conseguiam ver dentro da casa. Tanto que “mais um tantim” de paredões para a loira e Max não a teria derrubado.

Na edição atual, nego não quer enxergar. Será preciso quantos paredões para a maioria aceitar o favoritismo de Dourado (após duas votações populares em prol dele extra-paredões) e alguém tentar reverter isso de alguma forma mais inteligente do que jogando o lutador em sucessivas berlindas? “Se achar” atrapalha a visão de jogo.

Por Felipe (littlebonibrasil@gmail.com)

Outra Angélica de novo

Queria ter “lido” qual foi o raciocínio da Angélica ao escolher Cacau e Serginho para acompanhá-la no Quarto Branco. Se ela viu o BBB9, parece que não se preparou direito para o momento. Quis encarar o desafio confortada por dois amigos. Afinal, escolher duas pessoas “toleráveis”, racionalmente pensando, seria o ideal. Quem lembra do que aconteceu na edição passada sabe que o Quarto Branco é abacaxi. Léo não suportou o enclausuramento e pediu arrego. Foi eliminado.

"Desculpa pai, desculpa Brasil"

E agora que Serginho será imunizado pelo público, ao que tudo indica, o que Morango vai pensar ao perceber o vacilo de ter se colocado – levando a Cacau a reboque ou não – no paredão? Enfim, ela escolheu o “conforto” da situação (ou o “menos mal?”) ao invés de tentar enxergar o jogo friamente.

A escolha duvidosa dos companheiros de QB é só mais um reflexo de como a Morango se perdeu no jogo nesta semana. Largou da estratégia coerente e carismática que vinha mantendo desde que voltou de seu único paredão e agora se deixa levar, ao que parece, pelos rumores externos de “falsidade” na Casa de Luxo. E arrumou pretexto para brigar com Dourado – o que não é uma tarefa lá muito difícil, já que desde o início a maioria da casa o enxerga como aquele cheio de defeitos implacáveis e carente de reabilitação. Afinal, se indispor diretamente com Lia, Cadu ou Fernanda seria dar muita bandeira para o fato de que ela se importou com as placas vistas no Carnaval de Salvador, né isso?

A desculpa de Angélica para manter o conflito é um disco arranhado: o velho dilema da casa de que o lutador “não mudou”, e blá blá blá… O problema é que de fato Dourado mostra que é o mesmo cara cheio de tabus e não faz muita conta de esconder isso – atitude que derruba essa especulação dos confinados que ora ele é um anjinho de candura, ora é um monstro. E talvez por isso, independente do teor desses tabus, boa parte do público tem assegurado o favoritismo dele. Vide a conquista do carro hoje.

A torcida comprou o “pacote” com as virtudes e os defeitos. E esse é o maior trunfo de Dourado contra os adversários, que acreditam ainda que, se ressuscitarem o “Dourado 2004”, vão queimar o lutador. O jogo não acabou e pode ser que isso aconteça. Mas é complicado e improvável, afinal já estamos na metade do programa.

Com tudo isso, não sei mais o que esperar da Morango além de reviravoltas suspeitas de comportamento e putaria. E falo disso sem julgamento moral. É certo que apesar do humor instável, Angélica não vacila com suas investidas e tira uma casquinha danada da Cacau. Nesse ponto, está mais que justificada a escolha do Quarto Branco.

Por Felipe (littlebonibrasil@gmail.com)

A Perseguida que sucumbiu

Elenita após saír da casa (Ricardo Leal/UOL)

Bem pessoal, voltando à programação normal. Como viajei, não acompanhei nada de BBB pela Internet até ontem à noite. Mas já me atualizei. Vi o paredão que tinha se formado pela TV e, traído pela mudança de horário para caber o desfile das escolas de samba na grade da Globo, não vi o programa de domingo. Não nivelo as três participantes num mesmo patamar de chatice (Lia, Maroca e Lena), mas eu confesso que pouco me importei com este paredão de Carnaval. Pra mim tanto fazia. No entanto, se for considerar o retrospecto do BBB10 até então, era menos lógico a Elenita ter saído, ao meu ver. E o que aconteceu após a última prova do anjo não justificava toda essa perseguição recente.

Vamos pensar que o atual favoritismo do Dourado no jogo nasceu de uma perseguição. Que o público não aceitou. O lutador, assim como Lena, é um cara que procura ser transparente apesar de expor defeitos gritantes. Cada um a sua maneira, claro. Se o Bial insinuou que Tessália entrou achando o programa um lixo, Elenita se mostrou pouco adaptável às nuances do jogo de convivência e parecia desprezar quase todos numa “vibe” parecida com a de Tess. Achava os demais confinados “um lixo”. E em grande parte com razão, vamos combinar – voltando à reflexão dos primeiros posts aqui do Little Boni sobre a dificuldade de encontrar alguém merecedor de torcida neste BBB10.

A diferença de desfecho entre os dois casos de perseguição é que Dourado conseguiu emplacar uma boa torcida aqui fora – que acolhe o “desempenho” do lutador no programa na saúde ou na doença. Ou seja, Elenita não tem uma torcida inflamada, apaixonada, acrítica, e nem tinha como. Confesso que, como na “vida real” conheço gente detentora de títulos acadêmicos que se destaca antes pelo pedantismo desmedido do que pelo brilhantismo do conhecimento, torci o nariz para algumas atitudes da Doutora. Não desenvolvi uma empatia por ela.

Se a desculpa a favor da permanência dela é a inteligência diferenciada, tudo bem – ela não merece mesmo ser rejeitada por ser gorda ou sei lá o quê, pra mim isso não vem ao caso – mas acho uma tremenda falta de noção de comunicação que uma pessoa cheia de bagagem intelectual não saiba como se comunicar com pessoas mais brutas. Além do mais uma professora.

Não “se empurra” só um lado quando queremos nos entender com alguém. Se numa discussão você usa o termo “redefinir conceito”, é de se esperar que tenha noção que o seu interlocutor entenda o significado disso. E Lena sabia, neste caso e em tantas outras discussões que emplacou no confinamento, que não era bem assim. Pois convivia com uma maioria de pensamento clichê e estereotipado pelas ilusões do mundo superficial da fama, etc. Teria feito algo bem melhor se soubesse se comunicar ao ponto de fazer com que as pessoas reavaliassem preconceitos.

O que achei “sem lógica” é que ela foi rejeitada por ser gorda, supostamente “recalcada”, “mal amada”, além de ter saído como vilã só porque insinuou (mal) uma situação de paquera no jogo ao justificar a escolha do Monstro. Algo que poderia sim ter acontecido embora haja “pessoas aqui fora”. Ou a casa não considera o caso Michel-Karen-Tessália? Enfim, serviu de pretexto para “coroar” a rejeição da Doutora. Injustamente, mas serviu e ela rodou. O público dessa vez comprou a perseguição.

Drops

* Não foi só o público que comprou essa perseguição, como supostos “amigos” da Lena também. Angélica criticou a amiga por conta da ameaça da Doutora em sair da casa antes de ser eliminada (Mirla BBB9?). Até que a Morango teve razão em se indignar, mas para quem defende tanto os laços de “afinidade” e amizade no confinamento, não custava conversar com Elenita antes de abrir o verbo contra.

* E como Dourado não compra essa onda de afinidade e amizade no confinamento, Morango já discutiu com o lutador também. Eu torcia para que essa “relação” desse certo, mas se não der acho ruim para os dois. A aproximação, ao meu ver, simbolizava um pouco de tolerância entre pessoas diferentes no jogo.

* Falando em intolerância, acho ótimo que o Dimmy esteja esquentando a orelha da Lia. Portanto que ele não sustente um discurso “melhores amigos” na frente da louca daqui a pouco e caia na ambigüidade como sempre, acho ótimo para que Dicésar reencontre seu jogo, se fortaleça e torne a disputa mais imprevisível até o final.

* Uma oposição mais bem resolvida ao “terror psicológico” que Lia faz é o que tem faltado na casa. Michel poderia ser essa figura, mas o perfil dele é coadjuvante. Talvez se Dicésar assumir de vez esse papel a coisa engrene.

* Lia e Anamara se achando as últimas bolachas do pacote. Uma das duas precisa sair logo para baixar o moral da espécie “periguete-barraqueira-supersincera” dentro da casa.

Por Felipe (littlebonibrasil@gmail.com)

Rapidinha Pré-Carnaval…

Pessoal, não sou muito chegado a Carnaval, mas curto feriado. Vou viajar e volto terça para comentar o próximo paredão. Antes e/ou depois da eliminação. Aqui são 7h45 (8h45 de Brasília) e a prova do líder ainda não acabou. Fernanda e o Eliézer ainda esfregam o esponjão. Se o pimpão ganhar, teremos Angélica ou Dourado na próxima berlinda, isso se um dos dois não for imunizado. Se a loira vencer, daí a indicação do líder vai depender do “panorama” de jogo, já que ela se move de acordo com as conveniências.

Como não curto postar apressado e tô louco pra viajar, vou colar aqui para vocês a melhor definição que encontrei sobre o Dourado-participante-do jogo x torcida do Dourado. É da Lele, do Te Dou Um Dado?, no live blogging de ontem antes do início da prova do líder. É para fazer um contraponto com a minha última postagem. E eu concordo com cada linha que ela escreveu. Saquem:

Tipos, eu não torço por ele porque ele é machista. eu torço por ele APESAR de ele ser machista. não acho que ele seja filhodaputa. acho ele toscão, ignorantão, mas muito bacana, fala o que pensa (…) Agora, tem homem idiota e homofóbico torcendo por ele? opa. assim como tem gente sem caráter torcendo pra cada um da casa ali. não é a torcida de alguém que me faz torcer por esse alguém” (Lele, TDUD?)

Bom feriado a todos!

Por Felipe (littlebonibrasil@gmail.com)

Dourado também não ajuda…

Quis mostrar em dois posts anteriores que a torcida deste blog por Marcelo Dourado passava longe da questão “homofobia X heterofobia”. E sim por uma situação de perseguição no início do jogo e pelo fato dos atuais confinados apresentarem tantos defeitos difíceis de engolir (independente de orientação sexual) que era mais fácil ficar com o excesso de sinceridade e isolamento do lutador. Com exceção de Angélica, que me agrada sem fazer muita força. Principalmente depois que ela se safou do segundo paredão.

Mas o problema com Serginho hoje no almoço revela que não será fácil manter a torcida caso Dourado cometa deslizes como esse seguidamente. Foi decepcionante, apesar do pedido de desculpas. Me remeteu a um dos primeiros posts do blog, em que eu dizia como andava difícil torcer neste BBB10. Talvez essas situações do jogo entreguem que não é fácil ainda hoje – quase 1 mês depois do programa ter começado. É sempre bom reavaliar a torcida e não se fechar. Ou então nego abraça um jeito passional de lidar com o jogo e pronto. Prefiro ficar com a primeira opção sempre que achar necessário.

Por Felipe (littlebonibrasil@gmail.com)

Análise mais que recomendada

Acho que ninguém escreveu tão bem sobre a presença dos homossexuais no BBB10 até agora como fez a Mary W no Décimo BBB. E olha que eu torço Dourado no jogo, um cara que é supostamente homofóbico. Mas é como ela diz, o problema não é ele, e sim os exageros da torcida do lutador. Ele sozinho não “representa” toda forma de homofobia, até porque ele não procura – ao menos nesta edição do programa – manifestar isso. E sim tem reações equivocadas que dão a deixa para lhe julgarem.

Vale demais ler e estabelecer uma boa reflexão. Acho que a discussão é um poço sem fundo, mas não há como escapar. De todo modo, este blog torce Dourado e Angélica e a última coisa que devia importar é se ambos são hetero ou gay. No entanto, como somos um povo atrasadíssimo e preconceituoso, é mais que necessário o debate que a Mary provocou no blog dela – inspiração confessa desse escriba aqui.

Valeu Mary.

Um adendo à postagem: Acho que torcer no Big Brother não devia ser sinônimo de corroborar 100% com a visão de mundo do jogador. Claro que a tendência é você enxergar valores afins num participante e se identificar. Mas eu de modo algum acredito que toda a torcida do Dourado é homofóbica ou perto disso. Não que a Mary tenha dito exatamente isso, mas eu mesmo torço pelo lutador, sem necessariamente canonizá-lo e concordar plenamente com suas idéias.

Parte da torcida surge simplesmente da situação do jogo atual. Eu nem assisti o BBB4 todo. Sei de Dourado agora. Simples assim. É insquestionável o potencial de difusão de um programa de massa, mas cabe a nós – que comentamos o jogo – não superdimensionarmos situações que morreriam dentro da casa sem tanto alarde aqui fora.

Não estou diminuindo o problema da homofobia. Mas ele vira um problema gigante à medida que cada meio de comunicação que repercute o jogo passa a idéia pra frente sem critério e o telefone sem fio se encarrega do resto. Daí os mais exasperados e preconceituosos entram na discussão e geram um problema maior: a falta de responsabilidade ao comentar a questão. E é disso que a Mary tem rejeição, pelo que compreendi.

Por Felipe (littlebonibrasil@gmail.com)